sábado, 13 de setembro de 2014

Em busca de Si Mesmo



A maioria das pessoas, quando busca uma ajuda terapêutica, apresenta queixas relativas aos seus papéis sociais. São queixas sobre dificuldades de relacionamento afetivo, no trabalho, dificuldades com filhos etc. Outros só procuram ajuda quando seu corpo já apresenta sintomas de quadros psicossomáticos, indicados pela área médica. Há aqueles, mais raros, que buscam ajuda conscientes de quadro depressivo, com queixas de solidão, questionamentos existenciais, com objetivo de se conhecerem melhor.


Quando chegam ao psicoterapeuta ou analista, geralmente estas são as queixas mais frequentes. São queixas relacionadas a sua persona, aos seus papéis sociais, de filhos, esposos, namorados, pais, trabalhadores. Dificuldades de se relacionar! Queixas que levam o indivíduo a buscar ajuda. Queixas que, adequadamente orientadas, muitas vezes resolvem-se nos primeiros meses do processo.

No entanto, na visão da Psicologia Profunda, estes são apenas caminhos para que o indivíduo inicie a sua jornada em busca de Si Mesmo!

O objetivo da análise de foco junguiano é a individuação!

Individuação é o processo em que nos tornamos cada vez mais quem realmente somos.

Nascemos com potencial para nos desenvolvermos! Cada indivíduo possui a semente, características potenciais para realizar seu projeto de vida. Na visão da Psicologica Arquetípica, nascemos com uma missão. Mas não temos consciência plena de nossos objetivos no início dessa jornada. Aos poucos, no processo de auto-conhecimento propiciado pela análise, vamos nos descobrindo, montando o quebra-cabeça de nossas vidas. Aos poucos vamos tomando contato com nossos processos inconscientes, integrando os arquétipos, em direção ao Self.

O primeiro arquétipo que surge, nesse processo, é o arquétipo da Sombra. A Sombra é fruto de todo material que foi reprimido. Aceitar o nosso lado sombrio nos leva ao caminho da descoberta de nosso lado luminoso!

Nesse processo, também nos deparamos com com o animus, as mulheres, e a anima, os homens, a integração do masculino e feminino, que levam ao Self, o centro de nosso psiquismo, a nossa Centelha Divina.

Para a psicologia analítica, esse processo é demorado. Geralmente, leva praticamente uma vida inteira. Não necessariamente é preciso estar em análise durante todo esse tempo. Mas o processo de análise, acompanhado por um profissional qualificado e experiente, leva o indivíduo a aprender a se conhecer através de seus sonhos, da abertura para esse novo paradigma em sua vida, do aprender a estar atento aos sinais de sincronicidade, a buscar constantemente a busca do significado de sua vida!

Uma caminhada que, muitas vezes, é iniciada com alguma dificuldade que surge em nossa vida consciente, ou algum sintoma somático ou apenas uma angustia existencial, que nos leva intuitivamente a sentir esse desejo de buscar o Si mesmo, buscar o real significado e objetivo de nossa vida!

Uma caminhada às vezes longa e que percorre caminhos ocultos. É como entrar numa caverna escura, tendo ao lado o analista, que dá suporte e ajuda a jogar luz onde é preciso. Uma caminhada para aqueles que se sentem diferenciados, cuja alma não sossega enquanto não se encontrar. Um caminho que ao final propicia a paz do encontro e da integração de Si mesmo! Um processo em busca da paz e satisfação!

É como encontrar-se num oásis dentro da própria caverna.

É entender a que veio neste mundo!

É alcançar a plena realização!



Texto de autoria de Dulcinéa Cassis, publicado no Guia Lotus de agosto/2014


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sete anos!

Hoje o blog faz 7 anos! 

Foi em 2 de setembro de 2007 que iniciamos esta jornada!

Mal sabia eu a porta que estava abrindo. No início surpreendi-me não só com o sucesso inicial, mas pela minha própria capacidade que eu não sabia que tinha de agradar com meus escritos.

Do blog para a publicação do livro foi um pulo: outra surpresa para mim!

Muitas vezes na vida somos assim: a maioria das pessoas não tem consciência de sua própria capacidade.
Foi preciso arriscar para descobrir esse talento.
Escrevo sem falsa modéstia, pois acredito que a facilidade que tenho para escrever é um dom. Não me esforço para tal. As frases fluem livremente. Basta começar.

Não me orgulho disso: não fiz nada para consquistar ou merecer. Apenas começo, apenas me arrisquei.

Assim também acredito que há muita gente por aí que não conhece o talento que tem. E passa a vida sem desenvolve-lo porque tem medo de se arriscar. 

Mas o que mais me admirou outro dia, foi quando descobri que o blogspot faz estatísticas sobre os leitores. E mais uma vez fiquei surpresa ao descobrir o alcance do blog.
Pasmem: tem gente até na Ucrânia que lê o blog. 

Abaixo, compartilho com vocês essa estatística:


Gráfico dos países mais populares entre os visualizadores do blog

Visualizações de página por país

EntradaVisualizações de página
Brasil
13634
Estados Unidos
4767
Israel
1394
Rússia
1054
Alemanha
551
Portugal
379
Ucrânia
379
França
282
China
239
Reino Unido
113


Outro fato interessante é sobre as crônicas mais lidas. A primeira crônica publicada, é a vencedora:
'Ninguém me ama...". É também a campeã de comentários. Volta e meia aparece algum comentário de alguém que se identificou com o tema.

EntradaVisualizações de página
2039
28/05/2008, 3 comentários
889
596
404
21/11/2010



Fico feliz! Minha proposta inicial era abrir as portas do consultório para o mundo. Repartir um pouco da experiência de consultório com quem não tem acesso à psicoterapia.

Parece que nesse sentido estamos alcançando algum resultado!

Agradeço primeiramente ao Criador, que nos dá talento e dons para continuar a Sua obra. Agradeço a todos os leitores e incentivadores que me ajudaram a acreditar.

Por esses dias, voltei a escrever mais e espero que continuemos  essa caminhada juntos!

"Escrever também é assim: como Brasília, que surgiu do nada. Como o olho d'agua que brota e fica de um tamanho que não dá mais para medir, de tão grande que se faz." 

Dulcinea Cassis em "As esquinas de Brasília"


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Postagens






sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Tudo passará!

E o assunto agora são as eleições…

Assistir aos programas gratuitos é até comédia: promessas que sabemos que são quase impossíveis de serem cumpridas. 

É cômico ver candidatos ao legislativo prometendo ações que não lhes competem. Candidatos ao executivo falando apenas o que as pessoas querem ouvir. Prometendo os sonhos que, sem condições econômicas, não serão possíveis de se realizar!

Mas o povo acredita! E isso é uma qualidade do brasileiro: A fé! Fé é a certeza daquilo que não é certo. O povo brasileiro é um povo de fé! Um povo que acredita naquilo que não vê. Um povo que age pelo coração e pela emoção!

Isso é bonito de ver, mas ao mesmo tempo, triste! Pois não há análise real das propostas e possibilidades. Vota-se com o coração e não com a razão! Há a turma que prefere votar "em quem rouba mas faz" e há aqueles que votam em quem é honesto, mas não faz. Como se ganhar o salário pago pelo povo e não fazer nada, não fosse um espécie de roubo também.

Mas o que me entristece é ver como há pessoas que, movidas pela cegueira de suas próprias idéias, desqualificam os candidatos que não apoiam.

Tudo bem: tem até piadas engraçadas e inteligentes… mas na minha opinião, nada justifica publicar fotos dos candidatos modificadas, comparando-os a animais, ou justificar o seu não voto pela aparencia física…

A mim, parece que ao publicar esse tipo de posts, desqualifica-se a si mesmo quem o faz!

Mas, quando vejo tudo isso, para não desanimar, lembro duas coisas: a primeira é que, pelo menos, ao contrário de tantos anos da ditadura militar, estamos, mal ou bem, podendo votar!

E a segunda é que, apesar das opiniões divergentes, das ofensas proferidas, das discussões de mesa de bar, daqui a pouco tudo passará! 

Bem ou mal serão eleitos os próximos governantes e representantes do povo. 

E logo, logo, esqueceremos tudo outra vez!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"A culpa é da mãe"...

Pobres mães, acabam sempre levando a culpa!

É comum ouvirmos essa referencia: "a culpa é da mãe"! Uma influência do que eu chamo de "psicologismo": a tendência a querer explicar e justificar seus problemas emocionais à luz de uma psicologia pouco estudada.

São pessoas que chegam ao consultório já "cientes" da causa de seus problemas. Justificam as suas dificuldades alegando algum fato do qual, muitas vezes, nem se recordam, mas citam porque ouviram falar.

A psicanálise trouxe grande contribuição ao estudo das neuroses quando revelou a importância do relacionamento da mãe com a criança, dos pais, enquanto casal, do clima familiar à época etc.

Há estudos mais recentes apontando a qualidade da vida intra-uterina e até as condições do parto como fatores fundamentais na formação do psiquismo.

Não raro recebo pessoas no consultório com esse discurso, explicando e justificando todas as suas dificuldades, reportando-se à mãe!

Não é por acaso que, quando se tem algum desafeto, julga-se a mãe do sujeito!

Mas, até que ponto isso é verdadeiro?

De fato, é inegável que a relação mãe-filho(a) é fundamental na posterior saúde emocional da criança.

Mas o que eu desejo abordar nesse artigo é o fato de se utilizar esses dados e fatos como uma defesa que dificulta e até mesmo impede o processo de superação dessas dificuldades.

Os fatos relatados são utilizados para justificar suas condutas e dificuldades: "Eu sou assim e tal, porque quando criança aconteceu tal e tal coisa comigo", é um exemplo.

Ora, se os fatos citados tornaram-se conscientes, porque então não se resolvem os problemas?

A questão é que, em primeiro lugar, é preciso que aconteça um "insight". Ou seja, é necessário aquele "estalo luminoso" que realmente revela e faz a conexão das dificuldades vividas com fatos da história de vida.

É voltar ao tempo e ressignificar as vivências do passado!

Mas para que isso aconteça, é necessária uma abertura, uma disposição para a mudança! É preciso querer mudar, consciente e inconscientemente.

É imprescindível assumir o seu lado oculto, seus desejos inconscientes, sua sombra!

Necessário se faz mudar a atitude diante da vida, sair da posição de vítima e assumir as rédeas de seu próprio destino.

Saber que, se aconteceu como não gostaria que tivesse acontecido, hoje, adulto, pode colocar-se no lugar dos pais, numa atitude de empatia, entendendo seus motivos e dificuldades também. Muitas vezes esse adulto que reclama tem idade superior a de seus pais quando ele nasceu.

Buscar um sentido e significado para a sua vida, superando assim mágoas do passado. Um caminho para o crescimento, para a transformação de si mesmo e da realidade ao seu redor.

Um caminho da realização do Eu Interior!






segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Histórias de dor e de amor!

Psicóloga há mais de 30 anos, há cerca de quatro anos, resolvi investir no outro dom e paixão que tenho, que é a culinária, abrindo um Café, o Zahia, com o que minha filha chamou de "minhas comidinhas".

O empreendimento até agora tem dado certo! Para minha surpresa, alcancei mais visibilidade como Chef de cozinha, nestes três anos, do que como psicóloga nos trinta anos de profissão!

O que muita gente não sabe é que continuo com o meu consultório, dividindo o meu tempo entre as duas atividades.

Quando sou questionada, sobre como consigo lidar com esses dois papéis, respondo: No consultório ouço as histórias de dor, aqui no Café, posso participar das histórias de amor!

Rimou e ficou bonita a expressão, mas vai muito além, quando paramos para refletir sobre o sentido dessa frase. Quando estamos felizes, queremos comemorar algo, a tendência é sair para algum lugar, para…comer! Não só para comer, mas para encontrar as pessoas, para ser servido!

E aqui, nestes anos, tenho feito de clientes, alguns amigos, que gostam de frequentar a casa. Posso observar hábitos das pessoas que gostam de ter essa alternativa em suas vidas.
E sobre isso, tenho feito algumas reflexões.

Uma delas, é sobre o papel do que chamo "papoterapia". Em meu livro, o Bola de Cristal, publiquei uma crônica com esse tema. Como é bom ter algum amigo ou amiga, com que conversar, jogar conversa fora, desabafar, contar seus problemas, ouvir opinião! Mesmo que não substitua a psicoterapia, quando ela se faz necessária, considero que um bom papo com amigos tem um efeito terapêutico. Pertencer a um grupo de amigos nos dá a certeza de que somos queridos, desinteressadamente. Observo as pessoas que vem frequentemente para tomar um café ou almoçar juntas. Às vezes, embora sem a intenção, começo a perceber que o papo está virando  "papoterapia", ou seja, estão falando sobre os problemas de uns ou de ambos. Ao sair, fica a sensação de alívio, bem mais barato que uma sessão de psicoterapia!

Há outros que vem sozinhos e acabam fazendo um vínculo com o atendente. Ser atendido pelo nome, saber que é alguem especial na casa, também os fazem se sentirem bem!

Mesmo quem vem sozinho sempre e fica "na sua", na internet ou lendo um livro, me faz feliz! Percebo que o Café, no fundo, também é um espaço de acolhimento, onde as pessoas se sentem bem!

Por muito anos, eu tinha o sonho de abrir uma "pousada terapêutica". Hoje vejo o quanto isso seria difícil. Mas por enquanto, fico feliz com o  Café, onde mais do que serviço de alimentação, posso acolher as pessoas!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Milagre que não aconteceu…

Brasileiro é um povo de fé! Brasileiro acredita em milagres!

Diante da derrota de ontem da seleção brasileira, a cena que sempre me vem a mente, foi a entrevista do técnico Scolari antes do jogo. Mais ou menos, ele dizia assim: "estamos preparados… não é a ausencia de um ou dois jogadores que vai afetar o time".

Calculou mal o técnico… ou talvez estivesse negando para si mesmo uma verdade. O time não estava preparado como demonstrou. Se tecnicamente ou psicologicamente, como sustentam alguns (mania de jogar a culpa sempre no "psicológico"), não importa! Mas não ganhou: perdeu! E perdeu feio!

Mas outra cena que me chamou a atenção foi a garra com que cantaram o Hino Nacional. Com força, demonstrando confiança!

O que aconteceu então? Eles estavam confiantes, sim! Como em muitas linhas de psicologia, acreditavam que acreditando iriam chegar lá. Respeitando colegas que ensinam assim, quero lembrar a aqui o perigo de se pensar assim. E parece que essa é uma mania do brasileiro.

Se acreditar, vou conseguir! Concordo! Quem acredita pode conseguir sim, mas tem que acreditar desde o começo, tem que acreditar desde a hora da preparação. E não somente na hora da decisão.

Acreditar que é possível, acreditar na própria potencia é importante e essencial para se alcançar resultados. O sentir-se potente é fundamental. Quem não se sente potente, sente-se impotente e não chega nem a dar os primeiros passos.

Onipotencia é achar que pode tudo, que se consegue tudo, independente de esforço. E esse tem sido um dos males do nosso povo: Conseguir sucesso, sem esforço! É o tal do "jeitinho brasileiro", de quem se considera melhor do que os outros e que alguma "benção especial" irá favorece-lo.

Crescem religiões pregando esse mito,  basta "contribuir financeiramente que você será abençoado", como se o Reino de Deus, fosse desse mundo, desse mundo material…

Crescem "profissionais"ensinando o poder de se acreditar para se conseguir o que se quer…

Mas esquecem do principal: é necessário esforço de nossa parte. E não somente esforço de última hora. Mas esforço desde o início, durante todas as fases.

Quem não planta, não rega, não afofa a terra, não há de colher. Trabalho, sim, trabalho leva ao sucesso.  Essa é uma lei universal. Mas nem sempre leva ao sucesso esperado, pois há aqueles que roubam ao redor…

Em tese, numa visão global, se todos agissem corretamente, todos alcançariam o sucesso. Se o que trabalha nem sempre alcança o sucesso esperado, é porque outros há que, desonestamente, abocanham o que o que trabalha duro consegue. E aí, vendo que não trabalhar duro (mas desonestamente) leva à conquista de bens materiais, há a tentação de também agir assim.

No fundo, sinceramente, acho que a derrota do Brasil ontem, é um remédio amargo que o povo brasileiro estava precisando tomar… a seleção foi ontem apenas protagonista de um modo de ser que assola o país: a crença de que basta acreditar e querer.

Transformamos a nossa realidade, primeiramente conhecendo-nos profundamente. Cientes de nossa estatura e de nossa força, podemos investir nas mudanças necessárias, podemos almejar o nosso crescimento pessoal, do grupo, da sociedade. Não podemos nos iludir! Precisamos reconhecer nossas fraquezas, olhando-nos no espelho para corrigir o que é necessário corrigir!

Ao invés de olhar no espelho da rainha e perguntar "espelho, espelho meu, há mulher mais bela do que eu?", olhar verdadeiramente as nossas falhas e humildemente procurar corrigi-las...