Caminhos Tan GENTES
Reflexões sobre a vida, sentimentos, encontros, desencontros, espiritualidade, vocação e tudo o mais....
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
E AÍ ELES SE FORAM...
sábado, 20 de agosto de 2011
JOÃO E MARIA
Uma homenagem aos meus avós, João Ramos da Silva e Maria Ignácia Grilo, que viveram a maior parte de suas vidas em Catanduva, no interior de São Paulo. Recentemente, vários primos estão se encontrando através do Facebook. Publico essa crônica para celebrar esse encontro virtual familiar.
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DURALEQUES SE DE LEQUES
A frase foi escrita, assim mesmo, nas colunas de concreto da Câmara dos Deputados, à época de sua construção, em 1959. Assim diz a notícia! Foi escrita por um dos operários, um "candango"!
Lembrei do meu tempo de criança. A frase em latim, "dura lex, sed lex", significa: a lei é dura, mas é lei! Mas nós, levados pela propaganda da época, brincávamos com a rima: "dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex".
Nada mais oportuno nestes tempos, este achado! A frase estava lá, escondida, mas na base de sustentação do Congresso Nacional. As palavras estavam esquecidas, mas na semana passada foram encontradas! Parece um tesouro escondido que é encontrado no momento em que mais se necessita dele.
Nestes tempos em que práticas escusas, que parecem até já se tornarem habituais, vêm a tona, nada mais oportuno este achado! É preciso sempre lembrar: a lei é dura, cuidado com ela! Mais cedo ou mais tarde o que está escondido será achado. A verdade será revelada! E aí, a esperança de todos nós cidadãos honestos, é de que o mal não ficará impune. A lei é dura! Mas é lei!
Sábias palavras daquele operário, talvez pouco letrado pela forma como escreveu... Enganam-se aqueles que pensam que por não escrever corretamente o latim, aquele operário seria um "analfabeto funcional" como se diz hoje em dia. Aquele candango sabia muito bem o significado da expressão e tinha plena consciencia e esperança de que aquelas colunas de concreto sustentariam não só um prédio, mas a soberania de um povo ali representado.
Hoje vivemos um tempo em que vemos desmoronar-se as colunas da moralidade esperada de nossos representantes. Moralidade virou exceção na política.
Analfabeto funcional é quem pensa que "dura lex, sed lex" é apenas rima para gumex...
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
IRONICAMENTE FALANDO...
Essa frase foi dita pelo meu pai, nos seus últimos dias de vida, internado numa UTI. Foi dita diante da afirmação dos profissionais que o acompanhavam, de que ele estava "bem".Ele, que parecia meio sonolento, abriu os olhos e disse, claramente: "ironicamente falando"...
Ao mesmo tempo que criticava a fala ironica da equipe médica, o fazia de maneira ironica.
Esse é um dos problemas que nossos idosos têm enfrentado no final de vida. A medicina consegue, sim, prolongar a vida, com toda a tecnologia existente hoje, mas não consegue, na maioria das vezes, proporcionar qualidade. E assim é que, com tristeza, acompanhamos os últimos dias de nossos queridos idosos em UTIs, entubados, cheios de agulhas espetadas em seus corpos, muitas vezes com traqueostomia, sem ao menos poder falar, sem poder dizer as últimas palavras que desejaria para os seus entes queridos.
A família fica, sem saber o que está acontecendo. O que significa "estar bem", se ele, aos quase noventa anos, encontrava-se internado numa UTI de hospital?Ironicamente falando, talvez seja porque está mais próximo dos céus...
Também em outros setores da vida, afirmaçoes são relativas e confundem os leigos. O que é bom ou ruim para a nossa economia? O dolar subir ou abaixar? As ações estarem em alta ou em baixa? Tudo é relativo!
Esses são os dois lados da moeda. A vida é como uma gangorra, há momentos em que estamos lá em cima, outras vezes estamos lá embaixo. Sofre quem não entende isso. Sofre quem não percebe que há momentos de alegrias e momentos de tristeza.
Tudo tem o seu tempo nesta vida, como dizia Salomáo. "Há tempo de espalhar pedras e tempo de juntá-las. Há tempo de sorrir e tempo de chorar... Há tempo de guerra e tempos de paz!"
Ironicamente falado.... Em que tempo estamos hoje?
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
ADELINO CASSIS, O FILHO DE ZAHIA
Foi com sua mãe, Zahia, que Adelino Cassis aprendeu, desde pequeno, que é lícito quebrar algumas regras por uma causa maior, por uma causa de Deus!
Foi assim que, na liderança sindical, colocava Araldite nas fechaduras das agencias bancárias, para impedir que as portas se abrissem em dia de greve. Foi assim que questionou a própria Igreja, pelo seu silêncio diante de injustiças sociais. Foi assim a vida toda. Não se intimidava com limites impostos pelos homens, na certeza íntima de seus propósitos nobres.
Foi um amor muito maior do que o amor por pessoas, mas um Amor pelo coletivo, pela humanidade, que levou Adelino Cassis a priorizar em sua vida a luta social, a luta pelos direitos igualitários.
Sempre foi um homem honrado e batalhador! Militante, lutou pelos direitos dos trabalhadores e aposentados. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.
Em 64 foi perseguido, teve seus direitos cassados e foi demitido sumariamente do Banco do Brasil.
Depois de anos, anistiado, continuou a militância. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Associação dos Aposentados de Brasília e um dos fundadores também da Central Única dos Trabalhadores. É cidadão honorário de Brasília!
Como sua filha, por muitos anos ressenti-me de sua ausência na família, até entender os seus porquês. Ainda que meio ausente de casa, demonstrava afeto de uma forma meiga e sutil, através de pequenos atos e palavras, como uma das suas últimas cenas de carinho para com a esposa Yolanda. Já aos 87 anos, em sua caminhada habitual com a cuidadora, rouba uma rosa do jardim para presentear a esposa. No caminho, repetia: "Ela vai se surpreender..."
Com seu jeito árabe de ser, de "sangue quente", indignava-se com injustiças, falsidades e hipocrisias. Falava o que pensava, "doa a quem doer"... Criou inimigos, sim! Não se importava com o que pensassem. Sempre teve como meta o bem maior. Sempre priorizou o coletivo.
Dessa forma, teve uma trajetória independente. Permanecia filiado a alguma instituição, igreja ou partido, apenas enquanto a percebia coerente. Mas dela se afastava quando, em sua visão, aquele grupo se desviava de seus propósitos.
Esteve lúcido até o final de sua vida. Passava os dias em frente à TV acompanhando as notícias, pronto a comentá-las quando chegávamos para visitá-lo. Acompanhou as mudanças, mesmo já ausente do cenário do movimento de classes.
Nunca quis candidatar-se a cargo público. Reafirmava sempre que era um líder sindical e criticava duramente as pessoas que, em sua visão, amam o poder ao invés de amar a causa. E ele sabia distinguir um e outro!
Mesmo tendo sido perseguido duramente pela ditadura, mesmo sendo criticado por muitos, mesmo tendo sido esquecido por alguns, mesmo tendo se sentido traído por outros, reafirmava até o fim da sua vida:
"EU FARIA TUDO OUTRA VEZ"!
Minha homenagem póstuma ao meu pai, ADELINO CASSIS (23.09.1922 - 31.07.2011)