sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Tudo passará!

E o assunto agora são as eleições…

Assistir aos programas gratuitos é até comédia: promessas que sabemos que são quase impossíveis de serem cumpridas. 

É cômico ver candidatos ao legislativo prometendo ações que não lhes competem. Candidatos ao executivo falando apenas o que as pessoas querem ouvir. Prometendo os sonhos que, sem condições econômicas, não serão possíveis de se realizar!

Mas o povo acredita! E isso é uma qualidade do brasileiro: A fé! Fé é a certeza daquilo que não é certo. O povo brasileiro é um povo de fé! Um povo que acredita naquilo que não vê. Um povo que age pelo coração e pela emoção!

Isso é bonito de ver, mas ao mesmo tempo, triste! Pois não há análise real das propostas e possibilidades. Vota-se com o coração e não com a razão! Há a turma que prefere votar "em quem rouba mas faz" e há aqueles que votam em quem é honesto, mas não faz. Como se ganhar o salário pago pelo povo e não fazer nada, não fosse um espécie de roubo também.

Mas o que me entristece é ver como há pessoas que, movidas pela cegueira de suas próprias idéias, desqualificam os candidatos que não apoiam.

Tudo bem: tem até piadas engraçadas e inteligentes… mas na minha opinião, nada justifica publicar fotos dos candidatos modificadas, comparando-os a animais, ou justificar o seu não voto pela aparencia física…

A mim, parece que ao publicar esse tipo de posts, desqualifica-se a si mesmo quem o faz!

Mas, quando vejo tudo isso, para não desanimar, lembro duas coisas: a primeira é que, pelo menos, ao contrário de tantos anos da ditadura militar, estamos, mal ou bem, podendo votar!

E a segunda é que, apesar das opiniões divergentes, das ofensas proferidas, das discussões de mesa de bar, daqui a pouco tudo passará! 

Bem ou mal serão eleitos os próximos governantes e representantes do povo. 

E logo, logo, esqueceremos tudo outra vez!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"A culpa é da mãe"...

Pobres mães, acabam sempre levando a culpa!

É comum ouvirmos essa referencia: "a culpa é da mãe"! Uma influência do que eu chamo de "psicologismo": a tendência a querer explicar e justificar seus problemas emocionais à luz de uma psicologia pouco estudada.

São pessoas que chegam ao consultório já "cientes" da causa de seus problemas. Justificam as suas dificuldades alegando algum fato do qual, muitas vezes, nem se recordam, mas citam porque ouviram falar.

A psicanálise trouxe grande contribuição ao estudo das neuroses quando revelou a importância do relacionamento da mãe com a criança, dos pais, enquanto casal, do clima familiar à época etc.

Há estudos mais recentes apontando a qualidade da vida intra-uterina e até as condições do parto como fatores fundamentais na formação do psiquismo.

Não raro recebo pessoas no consultório com esse discurso, explicando e justificando todas as suas dificuldades, reportando-se à mãe!

Não é por acaso que, quando se tem algum desafeto, julga-se a mãe do sujeito!

Mas, até que ponto isso é verdadeiro?

De fato, é inegável que a relação mãe-filho(a) é fundamental na posterior saúde emocional da criança.

Mas o que eu desejo abordar nesse artigo é o fato de se utilizar esses dados e fatos como uma defesa que dificulta e até mesmo impede o processo de superação dessas dificuldades.

Os fatos relatados são utilizados para justificar suas condutas e dificuldades: "Eu sou assim e tal, porque quando criança aconteceu tal e tal coisa comigo", é um exemplo.

Ora, se os fatos citados tornaram-se conscientes, porque então não se resolvem os problemas?

A questão é que, em primeiro lugar, é preciso que aconteça um "insight". Ou seja, é necessário aquele "estalo luminoso" que realmente revela e faz a conexão das dificuldades vividas com fatos da história de vida.

É voltar ao tempo e ressignificar as vivências do passado!

Mas para que isso aconteça, é necessária uma abertura, uma disposição para a mudança! É preciso querer mudar, consciente e inconscientemente.

É imprescindível assumir o seu lado oculto, seus desejos inconscientes, sua sombra!

Necessário se faz mudar a atitude diante da vida, sair da posição de vítima e assumir as rédeas de seu próprio destino.

Saber que, se aconteceu como não gostaria que tivesse acontecido, hoje, adulto, pode colocar-se no lugar dos pais, numa atitude de empatia, entendendo seus motivos e dificuldades também. Muitas vezes esse adulto que reclama tem idade superior a de seus pais quando ele nasceu.

Buscar um sentido e significado para a sua vida, superando assim mágoas do passado. Um caminho para o crescimento, para a transformação de si mesmo e da realidade ao seu redor.

Um caminho da realização do Eu Interior!






segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Histórias de dor e de amor!

Psicóloga há mais de 30 anos, há cerca de quatro anos, resolvi investir no outro dom e paixão que tenho, que é a culinária, abrindo um Café, o Zahia, com o que minha filha chamou de "minhas comidinhas".

O empreendimento até agora tem dado certo! Para minha surpresa, alcancei mais visibilidade como Chef de cozinha, nestes três anos, do que como psicóloga nos trinta anos de profissão!

O que muita gente não sabe é que continuo com o meu consultório, dividindo o meu tempo entre as duas atividades.

Quando sou questionada, sobre como consigo lidar com esses dois papéis, respondo: No consultório ouço as histórias de dor, aqui no Café, posso participar das histórias de amor!

Rimou e ficou bonita a expressão, mas vai muito além, quando paramos para refletir sobre o sentido dessa frase. Quando estamos felizes, queremos comemorar algo, a tendência é sair para algum lugar, para…comer! Não só para comer, mas para encontrar as pessoas, para ser servido!

E aqui, nestes anos, tenho feito de clientes, alguns amigos, que gostam de frequentar a casa. Posso observar hábitos das pessoas que gostam de ter essa alternativa em suas vidas.
E sobre isso, tenho feito algumas reflexões.

Uma delas, é sobre o papel do que chamo "papoterapia". Em meu livro, o Bola de Cristal, publiquei uma crônica com esse tema. Como é bom ter algum amigo ou amiga, com que conversar, jogar conversa fora, desabafar, contar seus problemas, ouvir opinião! Mesmo que não substitua a psicoterapia, quando ela se faz necessária, considero que um bom papo com amigos tem um efeito terapêutico. Pertencer a um grupo de amigos nos dá a certeza de que somos queridos, desinteressadamente. Observo as pessoas que vem frequentemente para tomar um café ou almoçar juntas. Às vezes, embora sem a intenção, começo a perceber que o papo está virando  "papoterapia", ou seja, estão falando sobre os problemas de uns ou de ambos. Ao sair, fica a sensação de alívio, bem mais barato que uma sessão de psicoterapia!

Há outros que vem sozinhos e acabam fazendo um vínculo com o atendente. Ser atendido pelo nome, saber que é alguem especial na casa, também os fazem se sentirem bem!

Mesmo quem vem sozinho sempre e fica "na sua", na internet ou lendo um livro, me faz feliz! Percebo que o Café, no fundo, também é um espaço de acolhimento, onde as pessoas se sentem bem!

Por muito anos, eu tinha o sonho de abrir uma "pousada terapêutica". Hoje vejo o quanto isso seria difícil. Mas por enquanto, fico feliz com o  Café, onde mais do que serviço de alimentação, posso acolher as pessoas!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Milagre que não aconteceu…

Brasileiro é um povo de fé! Brasileiro acredita em milagres!

Diante da derrota de ontem da seleção brasileira, a cena que sempre me vem a mente, foi a entrevista do técnico Scolari antes do jogo. Mais ou menos, ele dizia assim: "estamos preparados… não é a ausencia de um ou dois jogadores que vai afetar o time".

Calculou mal o técnico… ou talvez estivesse negando para si mesmo uma verdade. O time não estava preparado como demonstrou. Se tecnicamente ou psicologicamente, como sustentam alguns (mania de jogar a culpa sempre no "psicológico"), não importa! Mas não ganhou: perdeu! E perdeu feio!

Mas outra cena que me chamou a atenção foi a garra com que cantaram o Hino Nacional. Com força, demonstrando confiança!

O que aconteceu então? Eles estavam confiantes, sim! Como em muitas linhas de psicologia, acreditavam que acreditando iriam chegar lá. Respeitando colegas que ensinam assim, quero lembrar a aqui o perigo de se pensar assim. E parece que essa é uma mania do brasileiro.

Se acreditar, vou conseguir! Concordo! Quem acredita pode conseguir sim, mas tem que acreditar desde o começo, tem que acreditar desde a hora da preparação. E não somente na hora da decisão.

Acreditar que é possível, acreditar na própria potencia é importante e essencial para se alcançar resultados. O sentir-se potente é fundamental. Quem não se sente potente, sente-se impotente e não chega nem a dar os primeiros passos.

Onipotencia é achar que pode tudo, que se consegue tudo, independente de esforço. E esse tem sido um dos males do nosso povo: Conseguir sucesso, sem esforço! É o tal do "jeitinho brasileiro", de quem se considera melhor do que os outros e que alguma "benção especial" irá favorece-lo.

Crescem religiões pregando esse mito,  basta "contribuir financeiramente que você será abençoado", como se o Reino de Deus, fosse desse mundo, desse mundo material…

Crescem "profissionais"ensinando o poder de se acreditar para se conseguir o que se quer…

Mas esquecem do principal: é necessário esforço de nossa parte. E não somente esforço de última hora. Mas esforço desde o início, durante todas as fases.

Quem não planta, não rega, não afofa a terra, não há de colher. Trabalho, sim, trabalho leva ao sucesso.  Essa é uma lei universal. Mas nem sempre leva ao sucesso esperado, pois há aqueles que roubam ao redor…

Em tese, numa visão global, se todos agissem corretamente, todos alcançariam o sucesso. Se o que trabalha nem sempre alcança o sucesso esperado, é porque outros há que, desonestamente, abocanham o que o que trabalha duro consegue. E aí, vendo que não trabalhar duro (mas desonestamente) leva à conquista de bens materiais, há a tentação de também agir assim.

No fundo, sinceramente, acho que a derrota do Brasil ontem, é um remédio amargo que o povo brasileiro estava precisando tomar… a seleção foi ontem apenas protagonista de um modo de ser que assola o país: a crença de que basta acreditar e querer.

Transformamos a nossa realidade, primeiramente conhecendo-nos profundamente. Cientes de nossa estatura e de nossa força, podemos investir nas mudanças necessárias, podemos almejar o nosso crescimento pessoal, do grupo, da sociedade. Não podemos nos iludir! Precisamos reconhecer nossas fraquezas, olhando-nos no espelho para corrigir o que é necessário corrigir!

Ao invés de olhar no espelho da rainha e perguntar "espelho, espelho meu, há mulher mais bela do que eu?", olhar verdadeiramente as nossas falhas e humildemente procurar corrigi-las...


quinta-feira, 27 de março de 2014

Tempo de comemorar!


Hoje é um dia muito especial!

Hoje, 27 de março, é a data de nascimento de minha mãe Yolanda. Faria hoje 90 anos!

Dentre tantas coisas que me ensinou, uma delas foi os segredos da culinária. Foi com ela que aprendi a cozinhar!

Gosto de repetir sempre essa frase, quando recebo e me apresento aos nossos clientes no Zahia: “Aprendi a cozinhar com minha mãe!" Nunca frequentei nenhum curso de gastronomia… aprendi a cozinhar com minha mãe!

Minha mãe era professora, ensinou as letras a muita gente. Mas a mim deixou outras lições preciosas. Lembro-me sempre dela, de suas palavras, dessa alquimia que ia além da culinária, passando-me lições de vida. Enquanto me ensinava a cozinhar, falava das tradições da família, ensinava-me organização, economia doméstica, higiene e tudo o mais.

Mas, certamente, o mais precioso ensinamento que ela me deixou, foi seu exemplo de vida e fé! Principalmente no enfrentamento dos desafios que a vida traz a todos nós.
Sua fé em Deus sempre esteve presente em sua vida!

Escolhemos o dia do aniversário dela para inaugurar o Zahia! E hoje o Zahia Café & Kebab também está de aniversário: completa três anos!

É tempo de comemorar! É tempo de brindar!

Um sonho que se transforma em realidade!

Um projeto que se concretiza!

E a cozinha da nossa casa agora se torna a cozinha da casa de tanta gente também!

Hoje quando vejo a casa cheia, não consigo mais reconhecer os clientes.
Quando vou cumprimenta-los, só recebendo elogios, ouço dize-los que chegaram aqui por recomendação de outros!

Sinto uma alegria profunda, um sentimento de realização no fundo de minha alma.
E uma certeza de que, se minha mãe estivesse aqui, ela estaria muito orgulhosa e feliz!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ZAHIA - CASA DE AVÓ!

Nesta manhã tive mais uma de minhas alegrias no Zahia!

A cena que sempre se repete: chega uma cliente, com etiqueta da Maternidade Brasília, que é aqui ao lado, procurando alguma coisa para comer e levar para o hospital. Geralmente são os avós, que acabaram de ter a alegria e o alívio de verem a carinha de seu/sua tão esperado(a) netinho(a)!

E eu, que acabo de passar mais uma vez por essa maravilhosa experiência, da "vóternidade", tenho agora potencializada essa alegria de poder compartilhar esses momentos…

Hoje foi a Sueli quem chegou, logo cedo! Sua netinha acabara de nascer! Estava feliz, emocionada! Veio comprar pão de queijo e café para os outros avós, o pai e quem mais lá estivesse.

Foi logo me contando: "Já tenho outros netos, mas a emoção é sempre enorme!"

Sei disso, Sueli! E é prá você, essa postagem de hoje! A gente não tem nem palavras pra expressar essa alegria que é o nascimento de uma netinha ou netinho!

Ficamos lá as duas, conversando um pouco, falando dessas coisas, nessa manhã de quarta-feira.  Ela, com pressa de levar logo um lanche para os demais. Eu, feliz, emocionada com a felicidade da Sueli, e com a minha própria emoção, revivida, a cada avó que chega aqui trazendo a sua emoção!

Quando ela se foi, eu fiquei com meus pensamentos, que me remetem, não só à minha própria e nova experiência de ser avó, mas também à divina inspiração de ter aberto nesse local, uma casa que acolhe as pessoas com esse jeitinho de casa de avó,  com o nome da nossa própria avó:  ZAHIA!

Um dia alguém me falou que, em árabe, Zahia significa esplêndida, brilhante!

Tem palavras melhores para expressar como a gente se sente quando nasce um filho ou filha, de um filho ou filha da gente?


Dulcinéa Cassis